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21 de julho de 2025O panorama vivido nos últimos dias no país com o anúncio da taxação dos produtos brasileiros tem mexido com setores da economia. O vice-presidente da Faesp e dirigente do órgão que coordena o setor de carnes no país, Cyro Ferreira Penna Júnior, fez uma avaliação do cenário, abordando o que representa em percentual e essa longa história de comércio entre os dois países.
Confira a análise do produtor e dirigente rural. “O Brasil mantém relações comerciais e de amizade com os Estados Unidos há mais de dois séculos, remontando ao início do século XIX com a chegada de D. João VI ao Brasil e a abertura dos portos às nações amigas.
Embora estas relações tenham passado por altos e baixos, com períodos de maior ou menor aproximação, elas continuam sendo significativas para ambos os países.
Especificamente em relação à carne bovina, até 2016 o Brasil exportava para os EUA somente carne industrializada, momento em que passamos também a exportar carne in natura, principalmente dianteiros bovinos para fabricação de hamburgueres e congêneres e, desde então, as exportações de carne bovina tem crescido, com um aumento significativo em 2024, colocando-se os EUA como o nosso segundo maior comprador com 12% do volume total que o Brasil vende para o exterior, enquanto os chineses compram quase a metade do volume total exportado.
Apesar da carne bovina brasileira estar entre as de maior qualidade do mundo e com o melhor preço, a promessa de taxação da carne brasileira pelo governo Trump a partir de 1º de agosto inviabiliza as exportações para os EUA, devido à perda de competitividade pela alta dos preços para os importadores americanos.
Considerando que cerca de 25% do total de carne bovina produzida no Brasil é destinada às exportações para os diversos destinos no mundo, o volume afetado pela taxação do Governo Trump seria de apenas 3% deste total, devendo portanto sobrar um excedente de carne bovina no mercado interno o que deve pressionar negativamente os preços principalmente de animais prontos para abate, haja vista que a baixa nos preços da carne nas gôndulas dos supermercados nem sempre é simétrica às baixas observadas nos mercados pecuários, o que nos leva a crer que a maior parte da fatura será debitada aos pecuaristas.
Tal instabilidade dificulta a tomada de decisões por parte dos pecuaristas e dos frigoríficos mas creio que este cenário deve perdurar por um curto período, pelo menos até o momento que os exportadores encontrem novos mercados para escoar a produção excedente”.






