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15 de janeiro de 2026Foi oficializada nesta semana, em Piracicaba (SP), a criação do Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA Citros). A iniciativa consolida a maior rede internacional de pesquisa já estruturada para o enfrentamento do greening (HLB), principal doença que afeta os pomares de citros no mundo.
O centro é resultado de uma parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP) e o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), e contará com investimento de R$ 90 milhões ao longo de cinco anos, com recursos das duas instituições.
Ao todo, o CPA Citros reunirá cerca de 75 pesquisadores, vinculados a 19 instituições e 36 departamentos, no Brasil e no exterior. A proposta é integrar especialistas de diferentes áreas do conhecimento em uma atuação colaborativa voltada ao desenvolvimento de soluções científicas e tecnológicas para o controle do greening e para a sustentabilidade da citricultura.
Pesquisa em rede e foco no campo
Sediado academicamente na Esalq/USP, o CPA Citros não contará com uma sede física única. O modelo em rede integrará laboratórios, equipes e projetos de pesquisa no Brasil e em países como França, Espanha, Estados Unidos, Austrália, Inglaterra e Portugal, além de instituições nacionais como Unicamp, Unesp, UFSCar, Instituto Agronômico (IAC) e Embrapa.
A pesquisa terá como foco a compreensão da interação entre planta, patógeno e vetor, o aprimoramento das estratégias de manejo do HLB, o desenvolvimento de novas tecnologias e a formação de recursos humanos especializados, com forte ênfase na transferência do conhecimento científico para o produtor rural.
Para a diretora do CPA Citros, Lilian Amorim, o centro nasce de uma demanda concreta do setor produtivo. “É uma iniciativa voltada à solução de um problema real da citricultura, com atuação integrada em pesquisa, educação e transferência de tecnologia, garantindo que o conhecimento chegue de forma mais rápida e eficiente ao campo”, afirmou.
O diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, destacou o caráter estratégico da iniciativa. “O CPA Citros reúne alguns dos principais pesquisadores do Brasil e do mundo para enfrentar, de forma colaborativa, um problema que causa impactos severos à citricultura em diferentes países”, disse.
Greening: impacto econômico e desafio sanitário
O Brasil é o maior produtor mundial de laranja e líder global na exportação de suco. No cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais, a última safra alcançou cerca de 230 milhões de caixas. Apesar da relevância econômica e social do setor, o greening segue como o principal desafio sanitário da atividade.
Nas últimas cinco safras, a doença provocou perdas estimadas em 102,26 milhões de caixas. Atualmente, cerca de 47,6% das plantas dos pomares comerciais dessas regiões apresentam sintomas do HLB, impactando produtividade, custos de produção e longevidade dos pomares.
Papel do poder público
Durante a cerimônia de criação do CPA Citros, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo destacou que a iniciativa dialoga com as políticas públicas de defesa vegetal já em curso no Estado, que envolvem fiscalização, educação sanitária e apoio técnico aos produtores.
Segundo a pasta, apenas em 2025 foram fiscalizadas mais de 17,5 mil propriedades citrícolas, com a retirada de mais de 60 mil mudas irregulares de circulação, além da realização de ações educativas voltadas ao manejo adequado e ao controle coletivo da doença.
A criação do CPA Citros reforça a estratégia de integrar ciência, setor produtivo e poder público para enfrentar o principal desafio fitossanitário da citricultura, garantindo competitividade, sustentabilidade e segurança sanitária para uma das cadeias mais relevantes do agronegócio brasileiro.






